Portal Da Cidade Barbosa

PAPO DE ESPECIALISTA

Felipe Franco desmonta o mito do treino em jejum de uma vez por todas

Emagrecer mais treinando de estômago vazio parece lógico, mas a ciência e a prática contam uma história bem mais interessante

Publicado em 04/06/2026 às 10:37

Felipe Franco (Foto: Reprodução)

O treino em jejum virou moda. Muita gente acorda cedo, não come nada e vai direto para a academia acreditando que essa estratégia vai acelerar a queima de gordura e garantir resultados mais rápidos. A ideia tem uma lógica aparente, mas a realidade do que acontece no organismo é mais complexa do que parece.

A teoria por trás do treino em jejum é simples. Com os estoques de glicogênio mais baixos após horas sem comer, o corpo seria forçado a buscar gordura como combustível principal durante o exercício. E isso de fato acontece, mas apenas em parte. O problema é que queimar mais gordura durante o treino não significa necessariamente perder mais gordura ao longo do dia.

O que a ciência mostra é que o emagrecimento depende do balanço calórico total, ou seja, da diferença entre o que se consome e o que se gasta ao longo de 24 horas. Treinar em jejum pode aumentar o uso de gordura naquele momento específico, mas o corpo tende a compensar esse gasto ao longo do restante do dia. No saldo final, a diferença entre treinar em jejum ou alimentado costuma ser menor do que se imagina.

Existe ainda outro lado dessa equação que poucos consideram. Em jejum prolongado, especialmente em treinos mais intensos, o organismo pode recorrer à degradação de proteína muscular para obter energia. Para quem tem como objetivo preservar ou ganhar massa muscular, esse é um ponto de atenção importante.

O desempenho também entra na conta. Muitas pessoas treinam com menos intensidade quando estão em jejum, seja por falta de energia, tontura ou simplesmente porque o rendimento cai. Um treino alimentado e bem executado pode gerar um gasto calórico maior do que um treino em jejum feito pela metade.

Dito isso, o treino em jejum não é um erro para todo mundo. Há pessoas que se adaptam bem a ele, sentem o estômago mais confortável sem comer antes e conseguem manter um bom desempenho. Para esse perfil, a estratégia funciona, não porque seja magicamente superior, mas porque é sustentável e confortável dentro da rotina de cada um.

O ponto central é esse. Não existe uma estratégia universalmente melhor. O que funciona é aquilo que a pessoa consegue manter com consistência, que respeita as particularidades do seu organismo e que está alinhado com o objetivo que ela quer alcançar. Treino em jejum pode ser uma ferramenta válida dentro de um planejamento bem feito, mas não é um atalho nem uma fórmula mágica.

Quem promete que treinar de estômago vazio vai acelerar drasticamente o emagrecimento está simplificando demais uma questão que envolve metabolismo, composição corporal, tipo de exercício, intensidade e alimentação ao longo do dia inteiro. A resposta honesta é que depende, e qualquer profissional sério vai dizer exatamente isso.

Fonte: Felipe Franco é fisiculturista, youtuber, empresário, modelo e deputado estadual por São Paulo

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp